Ainda não sei bem o que pensar sobre o filme 'Drag Me To Hell', de Sam Raimi. Talvez minhas expectativas estivessem por demais elevadas quando adentrei a sala de cinema, talvez não. Mas o fato é que, se fiquei satisfeito com algumas cenas que definitivamente funcionam (e muito bem), me desapontei com algumas outras, grotescamente cômicas, por assim dizer. E o estranho é que esse mesmo tipo de humor me levou às gargalhadas em 'Evil Dead' e 'Army of Darkness', mas aqui faz pouco além de quebrar o clima de tensão que é estabelecido tão cuidadosamente nas cenas ditas "boas". Ou seja, o humor de desenho animado acaba por sabotar o terror psicológico, sem uma gota de sangue, que, sabemos, é o melhor de todos.
Vamos começar falando do que funciona. A moça trabalha com empréstimos bancários e hipotecas, nega uma extensão de empréstimo (ou algo parecido, não tenho o menor conhecimento sobre o vernáculo financeiro) a uma cigana para impressionar o chefe e esta joga-lhe uma maldição nas fuças. A moça procura desesperadamente se livrar da mandinga, que vem a ser a pior possível. Um demônio está no seu encalço e vai arrastá-la ao Hades ao prazo de três dias. O primeiro conselheiro espiritual que ela procura é demais. O modo como Raimi nos apresenta ao sujeito, mostrando CD's gravados por ele e outros artefatos estranhos, já é muito bom. A personagem também é muito interessante, pois contrapõe com elegância os argumentos do namorado da moça, que é psicólogo e quer descartar as intervenções do mundo sobrenatural.
Raimi poderia muito bem ter investido mais nessa tensão, nesse "não saber", pois é isso que me impressionou. Afinal, o que essa entidade quer? Por que levar a alma de uma pobre moça que cometeu um erro? É isso que funciona. Não é de se admirar que a melhor cena de todas seja aquela em que um ritual é realizado com o auxílio de uma outra vidente mais graduada (interpretada pela atriz mexicana Adriana Barrazza) para tentar descobrir isso.
Mesmo assim, Raimi não se furta em colocar algumas "gags" para tentar arrancar risos de seu público, e isso acaba com toda a tensão que o filme tenta criar. Sim, eu sei que esse é o estilo dele, e, sim, eu amo Evil Dead. Mas...parece-me que Raimi cede a um tipo de vedetismo que espera certas coisas em qualquer filme que ele faça. E aí fica difícil inovar em qualquer sentido. Por exemplo: em todos os filmes tem aquele mesmo carro, o tal Oldsmobile. Em todos os filmes vemos uma mão saindo de dentro da terra...até mesmo em 'Homem Aranha'. Isso é até divertido; tentar achar essas coisas. Mas qual o sentido de se colocar uma bigorna caindo na cabeça de um cadáver, de modo que os olhos saem das órbitas cobertos de uma gosma nojenta que...vai atingir a heroína em cheio no meio da cara?
Pode ser que eu esteja ficando velho. Eu adorava ver 'Braindead', do Peter Jackson, e rachava o bico com aquelas cenas ridículas feitas a um orçamento mambembe. Mas aqui eu esperava um terror daqueles de gelar a espinha, e não foi o que encontrei. Mas, vá lá: Justin Long faz um ótimo trabalho como o namorado cético, e por isso destoa do resto do elenco ao apresentar um psicólogo contido e normal, reagindo adequadamente a cada cena dantesca. Dileep Rao, no papel do vidente Rham Jas, também é uma grata surpresa. Outro ponto a ser considerado é o modo como os irmãos Raimi nos levam a constatar que o caráter da jovem Christine Brown não é tão incólume como julga seu namorado.
Vamos começar falando do que funciona. A moça trabalha com empréstimos bancários e hipotecas, nega uma extensão de empréstimo (ou algo parecido, não tenho o menor conhecimento sobre o vernáculo financeiro) a uma cigana para impressionar o chefe e esta joga-lhe uma maldição nas fuças. A moça procura desesperadamente se livrar da mandinga, que vem a ser a pior possível. Um demônio está no seu encalço e vai arrastá-la ao Hades ao prazo de três dias. O primeiro conselheiro espiritual que ela procura é demais. O modo como Raimi nos apresenta ao sujeito, mostrando CD's gravados por ele e outros artefatos estranhos, já é muito bom. A personagem também é muito interessante, pois contrapõe com elegância os argumentos do namorado da moça, que é psicólogo e quer descartar as intervenções do mundo sobrenatural.
Raimi poderia muito bem ter investido mais nessa tensão, nesse "não saber", pois é isso que me impressionou. Afinal, o que essa entidade quer? Por que levar a alma de uma pobre moça que cometeu um erro? É isso que funciona. Não é de se admirar que a melhor cena de todas seja aquela em que um ritual é realizado com o auxílio de uma outra vidente mais graduada (interpretada pela atriz mexicana Adriana Barrazza) para tentar descobrir isso.
Mesmo assim, Raimi não se furta em colocar algumas "gags" para tentar arrancar risos de seu público, e isso acaba com toda a tensão que o filme tenta criar. Sim, eu sei que esse é o estilo dele, e, sim, eu amo Evil Dead. Mas...parece-me que Raimi cede a um tipo de vedetismo que espera certas coisas em qualquer filme que ele faça. E aí fica difícil inovar em qualquer sentido. Por exemplo: em todos os filmes tem aquele mesmo carro, o tal Oldsmobile. Em todos os filmes vemos uma mão saindo de dentro da terra...até mesmo em 'Homem Aranha'. Isso é até divertido; tentar achar essas coisas. Mas qual o sentido de se colocar uma bigorna caindo na cabeça de um cadáver, de modo que os olhos saem das órbitas cobertos de uma gosma nojenta que...vai atingir a heroína em cheio no meio da cara?
Pode ser que eu esteja ficando velho. Eu adorava ver 'Braindead', do Peter Jackson, e rachava o bico com aquelas cenas ridículas feitas a um orçamento mambembe. Mas aqui eu esperava um terror daqueles de gelar a espinha, e não foi o que encontrei. Mas, vá lá: Justin Long faz um ótimo trabalho como o namorado cético, e por isso destoa do resto do elenco ao apresentar um psicólogo contido e normal, reagindo adequadamente a cada cena dantesca. Dileep Rao, no papel do vidente Rham Jas, também é uma grata surpresa. Outro ponto a ser considerado é o modo como os irmãos Raimi nos levam a constatar que o caráter da jovem Christine Brown não é tão incólume como julga seu namorado.
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